É evidente que a seis meses do início da Copa do Mundo, qualquer análise será precipitada, ou no mínimo estará sob sérios riscos. Mas nós, jornalistas, temos de analisar o cenário atual. Por isso, afirmo hoje que Brasil e Costa do Marfim são as seleções favoritas no Grupo G.
O Brasil é favorito por ser o Brasil. E não se trata de ufanismo. É a Seleção de camisa mais pesada do futebol mundial e tem se saído bem quando enfrenta equipes de alto nível. Há o risco da classificação com o segundo lugar, mas a Seleção tem tudo para estar nas oitavas de final.
Costa do Marfim e Portugal brigarão pela outra vaga. Hoje, os sul-africanos são mais fortes como equipe. Apostam no artilheiro Drogba, no rápido e incisivo atacante Kalou (ambos do Chelsea) e no bravo marcador Yaya Touré, do Barcelona.
Já a seleção europeia, comandada por Carlos Queiroz, depende substancialmente do talento incomum de Cristiano Ronaldo. Coletivamente, deixa a desejar. O mau momento ficou claro durante as Eliminatórias. Portugal se classificou somente na repescagem ao vencer a fraca Bósnia.
De qualquer forma, um grupo da Copa do Mundo que terá os companheiros de clube Kaká e Cristiano Ronaldo, além de Drogba, não pode ser menos do que espetacular.
Ah, ainda há a Coreia do Norte... Se os brasileiros acham que estão no grupo da morte, imaginem os coreanos!
É incrível como em todas as competições, até mesmo nas de video game com amigos, existe um "grupo da morte". Virou uma convenção, é obrigatório em qualquer torneio. Na Copa do Mundo, então...
E, depois de anos e anos de babas, o Brasil está no grupo da morte! Ao lado de Portugal e Costa do Marfim, e da candidata a saco de pancadas Coreia do Norte.
O que achei do resultado? Gostei muito! Ao contrário dos últimos anos, teremos emoção desde o primeiro jogo. A preparação terá de ser bem feita já para a fase inicial.
GRUPO G
BRASIL
Coreia do Norte
Costa do Marfim
Portugal
Daqui a pouco postarei os jogos, cidades, calendário... Tudo sobre a caminhada (difícil!) rumo ao hexacampeonato.

As Eliminatórias terminam amanhã e ninguém teve tão poucas chances na Seleção Brasileira como Diego Souza.
O meia do Palmeiras, melhor jogador do Campeonato Brasileiro na modesta opinião deste blogueiro, atuou apenas 45 minutos em condições adversas e, possivelmente, não retorne mais às listas de um Dunga que não deseja mais surpreender ninguém.
Os responsáveis pelo casamento tão curto? Diego Souza tem culpa, Dunga também.
O treinador não deveria tomar como parâmetro apenas o primeiro tempo disputado na cruel altitude de La Paz. Além disso, Diego era o camisa 10 de um meio-de-campo totalmente desentrosado, formado por reservas que jamais haviam atuado juntos.
Por outro lado, o palmeirense movimentou-se pouco para quem tinha a grande chance de ir à Copa do Mundo. Paradão lá na frente, foi, entre os 28 que entraram em campo, aquele que menos tocou na bola. O meia tem de chamar o jogo, armar o ataque, auxiliar na marcação. Por mais que faltasse fôlego, deveria ter sobrado disposição. Diego pisou na bola (literalmente).
Seu concorrente na briga pela honra de ser reserva de Kaká é Julio Baptista. O meia da Roma (ITA) só não foi convocado porque está tratando de uma contusão e tem muito prestígio (merecido) com Dunga. Portanto, Diego terá de ganhar muito fôlego caso ainda sonhe com a África do Sul. Eu gostaria que tivesse nova chance, em Campo Grande, contra a Venezuela.
Havia alguns "bicones" no espaço destinado aos jornalistas do Gigante de Arroyito. Muita gente, bancadas lotadas. E, após a arrebatadora vitória da Seleção Brasileira, eu vi um argentino aplaudir nossos jogadores.
E ele nem fez questão de ser discreto. Ao contrário, parecia pedir que o resto do estádio fizesse o mesmo. Poucos, dentre os quase 40 mil, obedeceram, evidentemente. Mas confesso que não esperava uma reação como essa, de nenhum argentino sequer.
É a demonstração mais clara de que a Seleção Brasileira readquiriu respeito mundial. Podemos concordar, ou não, com as decisões de Dunga, mas o técnico é o principal responsável pelo retorno da credibilidade pentacampeã mundial.

Oscar Ruiz apita Argentina x Brasil, hoje, em Rosário. Ele também apitou Brasil x Argentina, no Mineirão, pelo primeiro turno das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010. Será a quarta partida sob seu comando desde que o técnico Dunga assumiu a Seleção Brasileira. Antes:
10/7/2007 - Brasil 2x2 Uruguai - Copa América
18/6/2008 - Brasil 0x0 Argentina - Eliminatórias
10/6/2009 - Brasil 2x1 Paraguai - Eliminatórias
Nada contra, mas faz tempo que esse colombiano trabalha, hein?! Já tem 40 anos... Já foi mais competente, mas também já esteve em momentos piores do que o atual. É experiente, essencial para um jogo como esse.

Lembram-se deste jogador? Pablo Aimar é mais um daqueles candidatos a "novo Maradona" que brilhou em determinados momentos, mas, no fim das contas, naufragou.
Mas, por que citar Aimar hoje? Porque foi dele o último gol marcado pela Argentina contra o Brasil. No dia 29 de junho de 2005, na final da Copa das Confederações, na Alemanha. Um golzinho bem inútil, diga-se de passagem. Já estava 4 a 0 para nossa Seleção.
Desde então, três partidas: 3x0 em Londres (ING), 3x0 em Maracaibo (VEN) e 0x0 em Belo Horizonte. O desafio hoje é maior! Manter o tabu em território argentino. Será que dá?

O folheto está distribuído pelos hoteis de Rosário. Hoteis lotados, aliás. No que estou hospedado, uma legião de brasileiros. Alguns chegaram a pagar 200 dólares por um ingresso. Os cambistas também faturam por aqui.
No folheto, um mapa de como se chega ao Gigante do Arroyito, instruções e estímulo ao uso de transporte coletivo e um aviso:
É proibido entrar no estádio com qualquer outra camisa de futebol que não seja das seleções argentina ou brasileira. A medida pode abrandar um pouco a tensão entre canallas (torcedores do Rosario Central) e leprosos (fanáticos pelo Newell's Old Boys), mas a separação entre eles deve ocorrer naturalmente dentro do estádio.

É assim que os argentinos tratam o jogo de hoje à noite contra a Seleção Brasileira. Em Rosário, não se fala em outra coisa. Em absolutamente nada. Peguei um táxi hoje pela manhã, e o motorista ficou tão feliz quando dei minha opinião, que chamou um amigo, pelo rádio, para ouvir. Eu disse:
- O Brasil é bem melhor, mas o povo argentino está tão mais envolvido com a partida, que isso iguala as coisas em campo.
Rosário tem torcedores apaixonados, que não vêem a Seleção há 15 anos e terão, agora, a oportundiade de presenciar o duelo contra o maior rival, e a melhor equipe do mundo. Fala-se muito na pressão que será exercida, de ambos os lados, no Gigante de Arroyito. Se jogadores das seleções brasileira e argentina não tiverem estrutura psicológica para encará-la, sinal de que foram convocados equivocadamente.
Logo mais, estaremos no Gigante de Arroyito para "a partida do ano"!

Esta é a sacada de um apartamento, num prédio baixo do centro de Rosário (ARG), em frente ao hotel da Seleção Brasileira. É claro que há um tom de provocação, uma recepção bem-humorada à delegação, mas se os donos da casa disserem que a bandeira fica lá o ano todo, não vou duvidar.

Esta é a sacada de um apartamento em frente ao meu hotel. E duvido que alguém tenha colocado para me provocar. É que por aqui, os argentinos não esperam a Copa do Mundo chegar para exibir a bandeira alviceleste.
Por toda a cidade, é possível notar o símbolo do país nas sacadas. Aliás, não é novo para mim. É assim nos Estados Unidos, na Suíça, França, Espanha, no Uruguai... Só no Brasil que elas saem do armário de quatro em quatro anos.

A Seleção Brasileira chegou ao Hotel Holliday Inn por volta de 1h30 desta sexta-feira. Os funcionários do hotel fizeram um cordão de isolamento para que a imprensa esperasse os jogadores. Calmamente, um a um, entraram no local. Julio Cesar, Lúcio, Maicon, Felipe Melo, Lucas, Sandro, Ramires, Lucas... Lucas??? De novo???
É o que alguns se perguntaram quando Filipe Luis e seus longos cabelos louros passou pelo saguão do hotel. O lateral-esquerdo ainda é uma presença inusitada na Seleção. Ele não estreou nem nas entrevistas. Durante a semana, na Granja Comary, apenas ele, o goleiro Julio Cesar e o zagueiro Lúcio não falaram.
Há a expectativa de que na janela de entrevistas de hoje, aqui em Rosário (ARG), ele faça sua estreia. Pelo menos fora dos gramados. Caso se confirme, colocaremos suas primeiras impressões sobre a rotina da Seleção.