Papo com Benja, por Benjamin Back

Lamentos por Jobson


O atacante Jobson foi uma das gratas revelações do Brasileiro e um dos grandes nomes na fuga do rebaixamento do Botafogo. É lamentável constatar que o jogador corre o risco de ficar muito tempo longe do futebol após ter sido flagrado no exame antidoping pelo segundo jogo no Campeonato Brasileiro.

Jobson, que está suspenso preventivamente, ainda será julgado, mas dificilmente escapará da pena máxima. É mais um talento que é derrotado pela droga.  

Qual o Dodô do Vasco?


Dodô sempre foi bom jogador. Eu escrevi "foi". Isso porque ninguém pode dizer como será a volta do atacante ao futebol depois de quase dois anos sem atuar. Se for o Dodô dos últimos tempos de Botafogo e Fluminense será um grande reforço para o Vasco, mesmo aos 35 anos. Se for um Dodô fora de forma, que ainda não foi visto nos gramados brasileiros, não ajudará muito o clube de São Januário.

O que se sabe é que Dodô vinha mantendo a forma por conta própria e soube esperar pacientemente o período em que ficou suspenso por doping. Com Carlos Alberto, ele pode dividir a responsabilidade de levar o Vasco a um 2010 de sucesso. E bem fisicamente, Dodô é quase certeza de vermos golaços.

Nem tanto nem tão pouco, Andrade


Andrade tem razão quando diz que merece ser valorizado pelo que fez no Flamengo. Mas exagera quando diz que o clube não conseguirá contratar um técnico de nível pelo valor que ele pediu para renovar. Que o Rubro-Negro tem de mantê-lo, todo mundo sabe. Mas será que vale a pena gastar R$ 280 mil com um treinador, valor este pedido por Andrade?

Para mim, não. Andrade começou o Brasileiro ganhando cerca de R$ 10 mil, quando ainda era auxiliar. Passou a interino como o mesmo salário e foi aumentado para R$ 50 mil ao ser efetivado para a reta final. Agora, quer a valorização, se igualando, como ele mesmo disse, a Dorival Júnior, que deixou o Vasco justamente por querer ganhar R$ 280 mil.

Ainda é pouco comparado aos mais de R$ 350 mil pagos a técnicos como Vanderlei Luxemburgo ou Muricy Ramalho. Mas é muito se levarmos em conta que Joel Santana e Cuca ganhavam por volta de R$ 150 mil no próprio Flamengo.

Andrade não esconde a mágoa por não ter recebido uma resposta do Flamengo. Mas, por mais que tenha ganhado o título brasileiro, precisa de mais experiência na carreira de treinador para ser tão exigente. Vá com calma, Tromba!  

Mancini, uma boa aposta


O Vasco apresenta nesta terça-feira o seu novo técnico para 2010: Vágner Mancini. Se não é unanimidade, é um nome que agrada bem mais do que o de Antônio Carlos, que tem muito pouca bagagem para comandar um clube do tamanho do Cruzmaltino. Mancini é uma aposta da diretoria vascaína, assim como foi Dorival Júnior. É um técnico jovem, que indicará alguns jogadores de sua confiança, e que teve boas passagens recentes por Vitória e Grêmio.

Assim cmo Dorival Júnior, costuma fazer bons trabalhos sem grandes astros nos clubes que dirige. E este parece ser o caminho que o Vasco vai seguir para 2010: contratações dentro da realidade financeira do clube, sem loucuras que prejudiquem o orçamento.

Fica a torcida para que a aposta dê certo. 

Antônio Carlos, tão perto e tão longe do Vasco


Bastou surgirem boatos de que Antônio Carlos pode ser o novo técnico do Vasco para a torcida mostrar o seu descontentamento. O nome do atual treinador do São Caetano não é unanimidade nem mesmo entre os dirigentes e especula-se que apenas o presidente Roberto Dinamite seja a favor do acerto. Para mim, será um retrocesso do Vasco, que não encontrará no ex-zagueiro um substituto à altura de Dorival Júnior.

Para começar, Antônio Carlos não tem experiência como treinador. Teve bom desempenho à frente do São Caetano na Série B, mas ainda está começando a carreira, que teve início em 2009. Não pode assumir o Vasco com a missão de levar o clube a títulos no ano que vem.

Mas o que tem mais revoltado os vascaínos nas comunidades na internet é o episódio de racismo envolvendo Antônio Carlos quando este era jogador do Juventude e teve atitudes racistas contra Jeovânio, do Grêmio. Logo no Vasco, historicamente um clube que sempre combateu o racismo?

Não sei, não. Mas se for contratado pelo Vasco, Antônio Carlos corre o risco de não durar muito tempo em São Januário. 

 

A minha seleção é bem diferente


A cada fim de campeonato, nós, jornalistas esportivos, somos levados a apontar os melhores. Como seleção cada um tem a sua, a minha é bem diferente daquela anunciada na festa da CBF, na noite da última segunda-feira.

No gol, até acho Victor, do Grêmio, o melhor em atividade no Brasil, mas acredito que Bruno, do Flamengo, foi mais decisivo a favor do seu time.

Nas laterais, votei nos dois do Goiás, Vitor e Júlio César, este último também escolhido na seleção da CBF. Vitor perdeu para Jonathan, que também fez grande campeonato.

Na zaga, André Dias, do São Paulo, não joga nem no meu time de pelada. Álvaro, do Flamengo, seria meu escolhido ao lado de Miranda, do São Paulo.

Entre os volantes, dois gringos: votei em Maldonado e Guiñazú, do Inter. Mas é fato que o chileno do Flamengo não teve sequência de jogos, já que entrou tarde no time e depois se machucou. A escolha de Hernanes, do São Paulo, não deixa de ser justa.

Do meio para a frente, um quarteto foi quase unanimidade: Diego Souza, Petkovic, Diego Tardelli e Adriano. Técnico foi o campeão Andrade.

Em relação ao craque, a maior injustiça. Não dá para um jogador do quinto colocado ser apontado como o melhor. Por mais que Diego Souza, do Palmeiras, tenha jogado muito e feito um gol histórico do meio de campo. Aqueles que realmente decidiram foram os rubro-negros Petkovic e Adriano. Ao veterano Pet valia a escolha pelo menos em forma de homenagem.

Para terminar, Fernandinho, do Barueri, foi minha revelação. E Sandro Meira Ricci, que nem finalista da CBF foi, para mim foi o melhor árbitro.

E para você?

É hexa! Com raça, amor e paixão!


O Flamengo não jogou bem diante do Grêmio, neste domingo, no Maracanã. Mas quer saber? Que importância tem isso diante da conquista do hexacampeonato brasileiro, diante do fim de um jejum de 17 anos. A virada de 2 a 1 sobre o Grêmio coroou o time de melhor campanha do Brasileiro, aquele que teve um dos artilheiros da competição, Adriano, com 19 gols. Aquele que teve em alguns momentos do campeonato o melhor futebol. Que teve a melhor campanha do segundo turno. Mas que, acima de tudo, teve a melhor torcida, responsável pelo melhor público do Brasileiro, a melhor média de torcedores.   

É a volta da força do Flamengo no cenário nacional, dividindo novamente a hegemonia nacional com o São Paulo, igualmente hexa. É a volta da força do futebol carioca, tão desacreditado, tão criticado, às vezes até injustamente. É a vitória do futebol mais charmoso do Brasil, que não tem a estrutura do futebol paulista, mas que é capaz também de fazer bonito, mostrando que nem sempre ter, na teoria, melhores condições de trabalho é garantia de título.

Pois se faltou alguma organização ao longo da campanha, não faltaram raça, amor e paixão. Raça de um time que saiu lá de baixo na tabela e foi subindo degrau a degrau até assumir a liderança na penúltima rodada e não largar mais. Amor de uma torcida que carregou esse time nos braços e no grito de hexa! Paixão de um técnico que é o símbolo maior da conquista, o único ser humano hexacampeão, sendo cinco como jogador e quatro delas pelo Flamengo. Salve, Andrade!

Quem liga para o fato de que o Grêmio fez 1 a 0 e esteve longe de entregar o jogo, como supunham alguns? Quem liga se Adriano passou em branco e pouco perigo levou ao gol adversário? Quem liga se Petkovic não foi o mesmo jogador que desequilibrou em outros jogos? É o de menos.

O destino parecia traçado. Pet iria sair. A placa de número 43 chegou a subir para a entrada de Fierro. Mas tinha um escanteio para cobrar. E ele foi batido com perfeição, na cabeça de Ronaldo Angelim, um exemplo de superação. Um guerreiro, um monstro contra o Grêmio. Que hora para os zagueiros marcarem no Brasileiro. Até este domingo, nenhum deles havia marcado gol. Mas foi de outro zagueiro, Deivid, o gol que empatou o jogo. Ninguém imaginava que ele substituiria tão bem Álvaro.

Foi preciso Andrade dar uma bronca no vestiário para o Flamengo voltar para o segundo tempo com vontade de ganhar. Pois parecia que era o Grêmio o time que poderia ser campeão. A reação aconteceu no segundo tempo. Se não foi com a categoria que os especialistas esperavam, foi com a raça que a torcida venera. Parabéns a toda a nação!

  

Uma dupla de primeira


Foi sofrido, mas Botafogo e Fluminense confirmaram neste domingo que são clubes de Primeira Divisão. Com muita raça, os dois conseguiram o resultado que precisavam para não serem rebaixados. Foi o final feliz de uma luta desesperada. Um prêmio pela superação de ambos. Uma vitória em conjunto do futebol carioca.

O Fluminense merece um destaque especial. Sua saga contra o rebaixamento se confirmou num autêntico milagre. Foi dado como morto por muitos. Mas milagres acontecem. Foram sete vitórias e quatro empates nos últimos jogos, que tiraram o Tricolor da última posição. Um prêmio para um time de guerreiros, que soube jogar na medida certa no Couto Pereira: precisava do empate e foi isso que conseguiu.

Os comandados de Cuca jogaram com inteligência. Não precisaram partir com tudo para cima do adversário para obter seu objetivo. O gol de Marquinho, um dos destaques do jogo, deu a tranquilidade que o time precisava para segurar o placar. Nem o empate abalou a equipe, que só fez uma vergonha no Couto Pereira: se atrasar 12 minutos para entrar em campo. Golpe baixo, que merece punição. Agora, é pensar em 2010, mantendo a boa fase formada por Cuca na reta final deste ano. O próprio treinador será peça fundamental.

O Botafogo, se não teve a arrancada do Fluminense, teve a garra e o poder de superação. Enfrentou um time que brigava pelo título e entrou em campo como se disputasse uma final. Venceu com autoridade e não se abalou com o resultado do jogo entre Coritiba e Fluminense, que em determinado momento não ajudava. Superou os problemas que teve ao longo da campanha e fez um dos seus principais jogos neste Brasileiro. De tal forma que contagiou a torcida. Se ela fosse tão presente e ativa em todos os jogos, a história poderia ter sido bem mais tranquila para o Glorioso. Esse garoto Jobson foi um achado na reta final. Uma pena que está de saída.

Independentemente da salvação alvinegra, é fato: muita coisa precisa ser feita para 2010.    

Time de guerreiros


A exaltação feita pela torcida do Fluminense ao fim do jogo contra a LDU foi perfeita para representar o momento pelo qual o time vem passando. Pois se a vitória de 3 a 0 não foi suficiente para garantir o título da Copa Sul-Americana, ela serviu para mais uma vez mostrar que a equipe está ao lado da torcida e vice-versa. O Tricolor não foi superado na disputa só pelo bom time equatoriano, mas sim pela criminosa altitude de Quito.

Foi apenas a primeira decisão da semana. E, convenhamos, a de domingo é muito mais importante. O objetivo maior dessa recuperação do Fluminense sempre foi fugir do rebaixamento. O título da Sul-Americana, se viesse, seria lucro, um prêmio que esse time merecia ganhar por tudo o que tem feito.

Na noite de quarta, o Fluminense foi um autêntico time de guerreiros. Diguinho, Gum, Conca, Fred... Cada um fez a sua parte contra a LDU. Fred até exagerou ao dar uma cabeçada de leve no árbitro do jogo, que fez o que pôde para enervar os jogadores em campo.

Com esse futebol, o Fluminense tem tudo para sair de Curitiba com o lugar garantido na Série A de 2010. E a partir daí será pensar no ano que vem, mantendo a boa base que foi formada por Cuca. 

Processe-me, presidente do Sport


O presidente do Sport, Silvio Guimarães, tem todo o direito de acreditar que o clube que comanda é o campeão de 87. Afinal de contas, a toda-poderosa CBF insiste nesta teoria por pura pinimba com o Clube dos 13. Mas o dirigente pernambucano perde qualquer razão que supostamente tem quando ameaça com processo aquele que divulgar na imprensa que o Flamengo é o verdadeiro campeão. Então, faça o seguinte, meu caro Silvio Guimarães, me processe!

Pois, assim como sempre escrevi que o Flamengo tem cinco títulos, reafirmo: se for campeão no domingo, o Rubro-Negro carioca conquistará o hexa. Por que o dirigente do Sport não ameaçou com processo todos que vêm há 22 anos dizendo que o Flamengo conquistou o tetra em 87 - e o penta em 92?

Só aqueles que não sabem o que realmente aconteceu em 87 ou que afirmam isso somente para provocar os flamenguistas colocam em dúvida o título do Flamengo. Isso tudo parece um desvio de foco pelo rebaixamento do Sport. E digo mais: esse dirigente não pode ser sério.